No Capítulo VIII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, no item “Escândalos. Se a vossa mão é motivo de escândalo, cortai-a”, somos convidados a refletir sobre a responsabilidade moral que temos diante de nossos atos e influências. Ao comentar a passagem evangélica, Allan Kardec esclarece que “escândalo”, no sentido ensinado por Jesus, não é simples comentário ou reprovação social, mas tudo aquilo que se torna causa de queda ou tropeço espiritual. Quando Cristo afirma que, se a mão for motivo de escândalo, devemos cortá-la, utiliza uma linguagem simbólica e enérgica para nos ensinar a necessidade de eliminar, com firmeza, tudo o que nos conduz ao erro. Não se trata de mutilação física, mas de renúncia às más inclinações e aos hábitos que alimentam nossas imperfeições. O Espiritismo amplia essa compreensão ao mostrar que somos responsáveis não apenas pelo mal que praticamos, mas também pelo mal que favorecemos ou incentivamos. Este item nos convida à vigilância constante, ao domínio de nós mesmos e à coragem de abandonar o que compromete nosso progresso espiritual. Melhor é renunciar ao que nos prejudica do que persistir no erro e atrasar a própria evolução.